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Pesquisa de Património - Detalhe

Identificação 
DesignaçãoPalácio dos Condes de Castro Guimarães
Outras DesignaçõesTorre de São Sebastião
Categoria / TipologiaArquitectura Civil / Palácio
Inventário Temático-
  
Localização 
Divisão AdministrativaLisboa / Cascais / Cascais
Endereço / Local

Avenida Humberto II de Itália
Parque Marechal Carmona - Cascais
2750 Cascais

  
Protecção 
Situação ActualClassificado
Categoria de ProtecçãoIIP Imóvel de Interesse Público
DecretoDecreto n.º 45/93, DR n.º 280, de 30-11-1993
ZEP-
Zona "non aedificandi"-
Abrangido em ZEP ou ZP-
Património Mundial-
  
Descrições 
Nota Histórico-ArtisticaImplantado junto à entrada para a Boca do Inferno, o Palácio do Conde de Castro Guimarães, como ficou conhecido, é uma arquitectura fortemente cenográfica e pictórica, que encontra, na perfeita integração com o meio envolvente e com os equipamentos já aí existentes, como a ponte rústica, um dos seus maiores trunfos. Por outro lado, e no contexto do século XIX, em que a história é integrada na arquitectura como memória colectiva (PALÁCIO,1994,p.27), este palacete de veraneio constitui um exemplo de eclectismo, ao mesmo tempo unificador de várias linguagens arquitectónicas, que lhe conferem um enorme sentido de monumentalidade (SILVA,1988,p.76).
Seguindo a descrição de Branca Colaço e Maria Archer (1943,pp.246-247), o autor do projecto "deu-lhe a graça medieval das janelas geminadas, as cúpulas das igrejas orientais, os mirantes dos serralhos moiriscos, os coruchéus das catedrais góticas, os alpendres dos solares minhotos, as torres das fortificações bárbaras, os varandins dos palácios italianos, as arcarias do estilo manuelino, mil enfeites, mil contornos diversos". A mesma ideia está presente nos estudos recentes de Regina Anacleto (1997,p.542), nas palavras de quem este edifício "patenteia uma amálgama de tendências e de materiais que se estendem desde o castelo senhorial a reminiscências mouriscas, manuelinas e renascentistas, bem como da pedra ao reboco de argamassa, passando pelo revestimento cerâmico".
A edificação do palácio deve-se à iniciativa de Jorge O'Neill, irlandês ligado aos negócios do tabaco e às finanças que, em 1892, requereu o aforamento destes terrenos à Câmara de Cascais. Tomando o exemplo de D. Luís, os nobres e personalidades influentes elegeram esta orla da linha como destino privilegiado de férias, implantado aqui as suas habitações de veraneio.
Crê-se que o modelo da casa que O'Neill veio a construir seja devido ao cenógrafo Luigi Manini, que o irlandês teria encontrado a pintar, neste local, inserindo na paisagem um palacete revivalista, tão ao gosto de outros projectos da sua autoria, como o Palace Hotel do Buçaco (FALCÃO,1981,p.186). Foi, no entanto, o pintor Francisco Vilaça quem concebeu o desenho do palácio, cerca de 1900, imprimindo-lhe um carácter cenográfico, devedor de Manini e de si próprio, que concentra nas fachadas-cenário todo o esforço decorativo.
Apresenta planta irregular, constituída por um corpo longitudinal onde se inclui o claustro, um outro também de planta rectangular, e a torre de São Sebastião, esta última de aparência românica. Os volumes são, igualmente, irregulares e de formas muito diversas, com fachadas abertas por vãos de características muito diferenciadas. Merecem especial destaque os jardins, com equipamentos diversos e um lago com uma parede de azulejos provenientes, muito possivelmente e como a iconografia indica, de uma igreja de religiosos teatinos (SIMÕES,1979,p.188). Na verdade, os azulejos que encontramos no exterior e no interior revelam, também eles, o gosto pelo antigo, tendo sido aqui utilizados painéis cerâmicos de origens diversas, quer do século XVII, quer do século XVIII.
Jorge O'Neill imprimiu ao palácio um cunho muito pessoal, bem visível nos elementos de origem irlandesa, como os trevos presentes nos ferros forjados, e nas pinturas de algumas salas.
Em 1910, O'Neill encontrava-se numa situação financeira difícil, que o levou a vender o palácio ao Conde de Castro Guimarães, um importante banqueiro que beneficiava de privilegiadas ligações internacionais. Este, sem descendentes, optou, no seu testamento, por deixar o edifício à vila de Cascais, com a condição do município fazer dele um museu e um jardim público. Assim veio a acontecer em 1927, aquando da sua morte, abrindo o museu ao púbico apenas três anos mais tarde, em 1930. Conservando as características de Casa-Museu, a sua colecção é constituída, essencialmente, por mobiliário, azulejaria, porcelana, pintura e arqueologia, dispondo, ainda, de uma biblioteca. (RC)
  
Imagens
Torre de São Sebastião - Ver Imagem
Perspectiva geral do Palácio Condes de Castro Guimarães - Ver Imagem
Entrada do Palácio - Ver Imagem
Claustro - Ver Imagem
Lago com painel de azulejos - Ver Imagem
Capela de São Sebastião - Ver Imagem
  
Bibliografia 
TítuloO Neomanuelino ou a reinvenção da arquitectura dos Descobrimentos, catálogo da exposição, IPPAR-CNCDP, Lisboa, 1994
LocalLisboa
Data1994
Autor(es)ANACLETO, Regina
  
TítuloArquitectura neomedieval portuguesa, 1780-1924
LocalLisboa
Data1992
Autor(es)ANACLETO, Regina
  
TítuloCascais
LocalLisboa
Data1988
Autor(es)SILVA, Raquel Henriques da
  
TítuloCascais Menino
LocalCascais
Data1981
Autor(es)FALCÃO, Pedro
  
TítuloMonografia de Cascais
LocalCascais
Data1969
Autor(es)ANDRADE, Ferreira de
CASTELO BRANCO, António de
  
TítuloMonumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa
LocalLisboa
Data1963
Autor(es)AZEVEDO, Carlos de
FERRÃO, Julieta
GUSMÃO, Adriano de
  
TítuloMemórias da linha de Cascais
LocalCascais
Data1943
Autor(es)ARCHER, Maria
COLAÇO, Branca de Gonta
  
  
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