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Pesquisa de Património - Detalhe

Identificação 
DesignaçãoCapela de Santo Amaro
Outras Designações
Categoria / TipologiaArquitectura Religiosa / Capela
Inventário Temático-
  
Localização 
Divisão AdministrativaLisboa / Lisboa / Alcântara
Endereço / Local

Calçada de Santo Amaro
Lisboa
0000 Lisboa

Rua Gil Vicente
Lisboa, Santo Amaro
0000-000 -

  
Protecção 
Situação ActualClassificado
Categoria de ProtecçãoMN Monumento Nacional
DecretoDecreto de 16-06-1910, DG n.º 136, de 23-06-1910
ZEPDR (I Série-B), n.º 37, de 13-02-1996, portaria n.º 39/96
Zona "non aedificandi"-
Abrangido em ZEP ou ZP-
Património Mundial-
  
Descrições 
Nota Histórico-ArtisticaImplantada numa colina sobranceira ao Rio Tejo, perto do vale de Alcântara, a Capela de Santo Amaro foi edificada em 1549, conforme indica a inscrição colocada sobre a porta principal do templo. O projecto desta ermida de planta centralizada, única na cidade de Lisboa, é atribuído a Diogo de Torralva (MARKL, PEREIRA, 1986; MOREIRA, 1995; SERRÃO, 2002), um dos grandes arquitectos do século XVI português, que tão bem explorou e entendeu o novo gosto do Maneirismo, nomeadamente as vias da tratadística italiana da época.
Templo de peregrinação, a fundação da capela dedicada ao santo milagreiro está envolta em lendas, não se sabendo ao certo se a sua instituição se deve a um grupo de marinheiros galegos ou a uma confraria instituída no local em 1532 por freires da Ordem de Cristo, com autorização régia de D. João III (CORTEZ, 1994, p. 856).
Na verdade, a Capela de Santo Amaro destaca-se pela singular, e erudita, estrutura centralizada, composta por "(...) dois cilindros secantes de inspiração serliana, a que se agrega uma original galilé de planta semicircular (...)" (CORREIA, 1991). Espaço ímpar no panorama arquitectónico português, este templo terá sido inspirado numa gravura do tratadista Sebastiano Serlio, que representa o mausoléu dos Crescenzi, na Via Appia, em Roma (MOREIRA, 1995, p. 352).
A par com a capelinha de Bom Jesus de Valverde, em Évora, e a capela do Paço de Salvaterra de Magos, é um dos poucos espaços religiosos quinhentistas a explorar a planta centralizada, que voltará ao panorama arquitectónico português apenas na segunda metade da centúria seguinte.
O núcleo da estrutura é o espaço circular do oratório, envolvido em metade da sua área pela galilé semicircular, que compõe a fachada, à qual corresponde, do lado oposto, a pequena capela-mor, também cilíndrica.
Aberta por uma arcada de cinco vãos, dois dos quais são cegos, a galilé é coberta por abóbada de nervuras abatida, com fechos decorados com símbolos alusivos ao santo padroeiro, cruzes de Cristo, florões e estrelas. Os três arcos principais foram fechados, no século XVIII, com portões de ferro forjado.
As paredes deste espaço estão totalmente revestidas por azulejos polícromos tardo-maneiristas, organizados em dois registos, cujas figurações centrais, alusivas a Santo Amaro, são envoltas por ferroneries, putti, motivos de grutesco e pendurados. Nos vãos cegos da arcada foram erigidos dois altares de estrutura maneirista, em trompe l'oeil, executados em azulejo policromo.
O acesso ao interior é feito através de três portas, abertas na galilé, estando gravada sobre a porta principal uma inscrição alusiva à data de fundação da capela. A nave circular é coberta por cúpula semi-esférica com lanternim, possuindo coro-alto, ao qual se acede pelo terraço. Um arco de volta perfeita, sem qualquer decoração, abre para a capela-mor, também coberta por cúpula semi-esférica, que ao centro alberga retábulo de talha azul e dourada em estilo nacional. Contígua à capela-mor foi construída a sacristia.
Celebrada a 15 de Janeiro, a romaria de Santo Amaro era uma das mais concorridas da cidade, tendo sido realizada pela última vez em 1911. Com o advento da República, a ermida foi abandonada e saqueada, chegando a servir de carvoaria. Em 1927 foi entregue à Irmandade do Santíssimo Sacramento, e no ano seguinte o espaço foi reabilitado para o culto.
Catarina Oliveira
DIDA/IGESPAR,I.P./ Setembro de 2007
  
Imagens
Capela de Santo Amaro (No topo da Calçada de Santo Amaro, início da Rua Gil Vicente (Alto de Sa - Ver Imagem
  
Bibliografia 
TítuloHistória da Arte em Portugal - o Renascimento e o Maneirismo
LocalLisboa
Data2002
Autor(es)SERRÃO, Vítor
  
Título"Santo Amaro (Ermida de), Dicionário da História de Lisboa
LocalLisboa
Data1994
Autor(es)CORTEZ, Maria do Carmo
  
TítuloArquitectura Portuguesa - Renascimento, Maneirismo, «Estilo Chão»
LocalLisboa
Data1991
Autor(es)CORREIA, José Eduardo Horta
  
TítuloA Arquitectura Portuguesa Chã - Entre as Especiarias e os Diamantes 1521-1706
LocalLisboa
Data1988
Autor(es)KUBLER, George
  
TítuloHistória da Arte em Portugal - O Renascimento, vol. 6
LocalLisboa
Data1986
Autor(es)MARKL, Dagoberto
PEREIRA, Fernando António Baptista
  
TítuloAzulejaria Portuguesa
LocalLisboa
Data1985
Autor(es)MECO, José
  
TítuloA Ermida de Santo Amaro
LocalLisboa
Data1938
Autor(es)MOITA, Luís
  
  
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