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Pesquisa de Património - Detalhe

Identificação 
DesignaçãoIgreja Matriz de Viana do Alentejo
Outras DesignaçõesIgreja Matriz de Nossa Senhora da Anunciação de Viana do Alentejo
Categoria / TipologiaArquitectura Religiosa / Igreja
Inventário Temático-
  
Localização 
Divisão AdministrativaÉvora / Viana do Alentejo / Viana do Alentejo
Endereço / Local

Largo de São Luís
Viana do Alentejo
0000-000 -

  
Protecção 
Situação ActualClassificado
Categoria de ProtecçãoMN Monumento Nacional
DecretoDecreto de 16-06-1910, DG n.º 136, de 23-06-1910
ZEPDG (II Série), n.º 150, de 30-06-1948
Zona "non aedificandi"DG (II Série), n.º 150, de 30-06-1948
Abrangido em ZEP ou ZP-
Património Mundial-
  
Descrições 
Nota Histórico-ArtisticaA antiga herdade de Foxém, denominada de Viana de Alvito a partir do século XIII, foi repovoada nessa mesma centúria por D. Gil Martins, alferes-mor de D. Dinis. Em documento datado de 1269, D. Martinho, Bispo de Évora, reconhecia o direito a um quarto dos dízimos da denominada "igreja de Fochem", pertencendo o restante aos seus donatários. D. Dinis, cedeu a povoação e a igreja ao então infante D. Afonso, que a fez integrar nos bens de D. Beatriz de Castela, já com a designação de capelas de D. Afonso IV . O padroado esteve posteriormente na mão de D. João de Bragança e dos antigos Condes de Viana, da família dos Meneses. Voltou à posse da coroa no século XV. D. Manuel ordenou a sua reconstrução, substituindo-se então o edifício medieval por um dos mais belos templos manuelinos do Sul do país.
A actual igreja está atribuída a Diogo de Arruda (Reinaldo dos SANTOS, 1952), que em 1521 era primeiro mestre das obras do Alentejo. Está localizada dentro do recinto do castelo, tendo o paramento sul e a cabeceira, a nascente, encostadas aos respectivos panos de muralha. A fachada distribui-se em três corpos, denunciando as três naves do interior, cuja marcação surge reforçada por vários elementos arquitectónicos. Assim, o corpo central, mais elevado, é flanqueado por dois contrafortes de secção quadrada, sobre os quais assenta um grande arco de descarga, redondo, correspondente à nave central, enquanto os laterais, com coroamento de merlões chanfrados, tal como todo o edifício, possuem gigantes dispostos em ângulo. Sobre o arco de descarga eleva-se a sineira, com frontão triangular agudo, enquanto por baixo do mesmo se rasga um janelão, e o magnífico portal principal, a eixo. No alçado Norte rasga-se uma segunda porta, mais simples. O coroamento de merlões, os contrafortes cilíndricos e pináculos cónicos que ritmam os alçados, e os originais arcobotantes de tijolo, denunciam a influencia da linguagem mudéjar, ainda presente em alguns revestimentos de azulejaria de factura sevilhana no interior.
O portal, em mármore, constitui um dos mais marcantes e feéricos exemplares do manuelino. Trata-se de um largo vão circular, envolvido por moldura torsa em arco conopial, sob o qual se recortam dois vãos geminados, com mainel. O pórtico é flanqueado por dois pilares que se prolongam até ao fecho do arco conopial, rematado em cogulho. Entre a profusa decoração do conjunto destacam-se as habituais representações heráldicas, nomeadamente o escudo de armas régias, no espaço entre o arco conopial e o extradorso do arco envolvente, a cruz da Ordem de Cristo, inscrita em moldura circular no tímpano, e duas esferas armilares, elevando-se a partir da torsade do arco conopial. A restante ornamentação consta de profusos motivos tardo-góticos de talhe "gordo", e ainda decoração de cariz renascentista e talhe plateresco, particularmente notória nos pilares laterais.
O interior tem três naves de cinco tramos, com abóbadas de cruzaria de ogivas. Da estrutura, destacam-se os grossos pilares octogonais das naves, cuja tipologia foi antecedida, entre outros, pelos pilares da igreja do Mosteiro dos Jerónimos, e que reforçam a horizontalidade interior do edifício (José Custódio VIEIRA DA SILVA, 1989). A abside, aberta por imponente arco triunfal, tem apenas um tramo, visto que a muralha nascente do castelo impediu o seu desenvolvimento. As chaves da abóbada ostentam decoração vegetalista e heráldica tradicional do período, que se encontra em abundância por toda a igreja, juntamente com alguns motivos mais exóticos.
O templo quinhentista recebeu muitas intervenções ao longo do séculos, que se traduziram no acrescentamento de capelas e dependências anexas, bem como no acervo artístico conservado, entre silhares de azulejos, talha, e imaginária diversa. Da época da construção destacam-se ainda dois vitrais, os únicos conservados, de qualidade excepcional, representando São Pedro e São João Baptista.
Sílvia Leite
  
Imagens-
  
Bibliografia 
TítuloCastelo e Igreja Matriz de Viana do Alentejo
LocalLisboa
Data2004
Autor(es)
  
TítuloO Tardo-Gótico em Portugal, a Arquitectura no Alentejo
LocalLisboa
Data1989
Autor(es)SILVA, José Custódio Vieira da
  
TítuloA Arquitectura Manuelina
LocalPorto
Data1988
Autor(es)DIAS, Pedro
  
TítuloInventário Artístico de Portugal - vol. IX (Distrito de Évora, Zona Sul, volume I)
LocalLisboa
Data1978
Autor(es)ESPANCA, Túlio
  
Título"Igreja Matriz de Nª. Sª. da Anunciação de Viana do Alentejo", in A Cidade de Évora, nº 60
LocalÉvora
Data1972
Autor(es)ESPANCA, Túlio
  
TítuloLivro das Igrejas e Capelas do Padroado dos Reis de Portugal (1574)
LocalParis
Data1971
Autor(es)SERRÃO, Joaquim Veríssimo
  
TítuloAzulejaria em Portugal nos séculos XV e XVI: introdução geral
LocalLisboa
Data1969
Autor(es)SIMÕES, J. M. dos Santos
  
TítuloEl mudejarismo en la arquitectura portuguesa de la epoca manuelina
LocalMadrid
Data1955
Autor(es)PEREZ EMBID, Florentino
  
TítuloO Estilo Manuelino
LocalLisboa
Data1952
Autor(es)SANTOS, Reinaldo dos
  
  
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