| Identificação | |
| Designação | Capela de Nossa Senhora do Desterro |
| Outras Designações | |
| Categoria / Tipologia | Arquitectura Religiosa / Capela
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| Inventário Temático | - |
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| Localização | |
| Divisão Administrativa | Leiria / Alcobaça / Alcobaça |
| Endereço / Local | Jardim das Murtas, cerca do Mosteiro de Alcobaça Alcobaça 2460 Alcobaça |
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| Protecção | |
| Situação Actual | Classificado |
| Categoria de Protecção | MN Monumento Nacional |
| Decreto | Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136, de 23-06-1910 |
| ZEP | DG (II Série), n.º 190, de 16-08-1957 |
| Zona "non aedificandi" | - |
| Abrangido em ZEP ou ZP | - |
| Património Mundial | - |
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| Descrições | |
| Nota Histórico-Artistica | Edificada na cerca do Mosteiro de Alcobaça muito próxima da sacristia da igreja cisterciense, a ermida de Nossa Senhora do Desterro destaca-se pela sua imponente fachada-retábulo barroca, característica de um período em que as fachadas assumem importância extrema enquanto elementos primordiais da arquitectura, intervindo directamente na dinamização do espaço urbano (PEREIRA, 1986, p. 36). Desenhada em 1716 pelo Padre Frei Luís de São José, arquitecto ainda pouco estudado mas com obra de grande interesse, esta ermida representa um dos trabalhos mais significativos do artista, muito celebrado pelas fachadas-retábulo que concebeu, entre as quais se destacam a da presente igreja ou a da igreja de São Vicente em Braga, de 1713 (SERRÃO, 2003, p. 178). A nível estrutural, o projecto revela-se pouco inovador, inscrevendo-se ainda numa tradição seiscentista, ao justapôr dois espaços rectangulares correspondentes à nave e capela-mor. A grande novidade reside na fachada que denuncia um forte dinamismo, tirando partido da escultura volumosa, patente nas colunas pseudo-salomónicas que ladeiam o portal principal, e no frontão interrompido que integra o óculo, a que se sobrepõe um nicho com frontão e cruz. Esta profusa decoração, de forte efeito cenográfico, que impera sobre a estrutura arquitectónica, transforma o alçado principal da ermida num grandioso retábulo passado à pedra e transportado do interior para o exterior (PEREIRA, 1986, p. 36). Numa época em que um mesmo artista se ocupava de diferentes categorias artísticas, esta proximidade entre arquitectura e retabulística é facilmente compreendida, ainda que eivada de forte pendor experimentalista. No interior da ermida os espaços são cobertos por abóbadas de berço, sendo que a da capela-mor é decorada com pintura mural de albarradas e volutas que envolvem um medalhão central. O retábulo-mor é de talha dourada no Estilo Nacional, e as paredes são revestidas por painéis de azulejo azuis e brancos, representando cenas da Fuga para o Egipto, uma iconografia do Desterro, muito própria das igrejas cistercienses (SOBRAL, 2000, pp. 407-424). As cercaduras de motivos arquitectónicos constituem argumento para integrar este conjunto de azulejos na denominada "Grande Produção Joanina". Santos Simões, no seu Corpus da Azujejaria Portuguesa relativa ao século XVIII datou os painéis de 1740 (SIMÕES, 1979, p. 160), mas estudos mais recentes permitem concluir que em 1723 já se colocavam azulejos no interior da ermida (SERRÃO, 2003, p. 178). (Rosário Carvalho) |
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| Imagens | |
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| Bibliografia | |
| Título | O Barroco |
| Local | Lisboa |
| Data | 2003 |
| Autor(es) | SERRÃO, Vítor
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| Título | "A capela do Desterro de Alcabaça: estilo, narração e simbolismo", Actas Cister, Espaços, Territórios, Paisagens colóquio Internacional, |
| Local | Lisboa |
| Data | 2000 |
| Autor(es) | SOBRAL, Luís de Moura
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| Título | "Resistências e aceitação do espaço barroco: a arquitectura religiosa e civil", História da Arte |
| Local | Lisboa |
| Data | 1986 |
| Autor(es) | PEREIRA, José Fernandes
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| Título | Azulejaria em Portugal no século XVIII |
| Local | Lisboa |
| Data | 1979 |
| Autor(es) | SIMÕES, J. M. dos Santos
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