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Itinerários e Inventários Temáticos
Património Mundial

 

Título
Convento de Cristo em Tomar

Data de Inscrição
1983
Critérios
C i: representativa de uma obra prima do génio criativo da humanidade.
C vi: directa ou materialmente associado a acontecimentos ou tradições, ideias, crenças ou obras artísticas e literárias com um significado universal.
Justificação
Relatório da 7ª sessão do Comité
Breve Descrição
Considerado património mundial pela UNESCO, desde Dezembro de 1983, o Convento da Ordem de Cristo e Castelo Templário, em Tomar, formam um conjunto monumental único no seu género: O Castelo foi fundado em 1160 por Dom Gualdim Pais, Mestre provincial da Ordem do Templo em Portugal. Dentro das suas muralhas viveram as primeiras gentes de Tomar.

Janela Manuelina Porta Sul do Convento
Janela Manuelina do coro do Convento Portal Sul do Convento

O coração da fortaleza, a Alcáçova, com a torre de menagem, foi construída a Oriente; o lugar místico, a Igreja octogonal templária, foi construída a Ocidente. Com o extermínio da Ordem pelas perseguições de Filipe o Belo, Rei de França, os Templários encontraram, em Portugal, a continuidade da sua sagrada missão de Cavalaria. Sob os auspícios de D. Dinis, é fundada a "Ordem dos Cavaleiros de Cristo", a qual foi durante quatro anos negociada pelo monarca com a Santa Sé, e veio a integrar pessoas e bens da extinta Ordem do Templo. É com a Ordem de Cristo que a nação portuguesa se abre para a empresa das descobertas marítimas do séc. XV. Tomar é então sede da Ordem, e o Príncipe Henrique o Navegador, o seu mestre. Com a expansão da fé cristã e do reino, também a sede da Ordem de Cristo se dilata.

Interior da Charola
Interior da Charola

Os séculos e a história de Portugal vão deixando, na arquitectura do Convento, testemunhos do tempo e dos homens que lidaram, bem ou mal, com os destinos da Pátria Portuguesa. Durante o governo do infante D. Henrique foram construídos dois claustros góticos no Convento. Com D. Manuel, a igreja templária é prolongada para Ocidente por uma construção que serviria o Capítulo da Ordem. Profusamente impregnada pela simbólica dos Cavaleiros de Cristo, esta construção aloja na sua fachada ocidental a famosa Janela do Capítulo. D. João III que herda de D. Manuel, seu pai, o trono de Portugal fez profundas mudanças na Ordem, alterando as suas Regras e transformando os cavaleiros em monges. É a partir deste reinado que se iniciam importantes trabalhos de ampliação do Convento, com vista a consumar a Reforma da Ordem. Esses trabalhos vão continuar até ao século XVIII, deixando marcas de rara beleza das tendências artísticas que esses tempos viveram. É assim que o Convento de Cristo encerra no seu conjunto arquitectónico testemunhos da arte românica com os Templários, do Gótico e do Manuelino com as Descobertas, prosseguindo com a arte do Renascimento durante a reforma da Ordem, depois o Maneirismo nas suas várias facetas para se confinar no Barroco em ornamentos arquitectónicos.

Da estrutura arquitectural do Convento, além das edificações construídas em torno da igreja templária, há a salientar o conjunto de quatro grandes claustros articulados por dois eixos em cruz latina, e também um aqueduto com 6 Km de extensão mandado edificar por Filipe II. Integra o domínio do Convento uma área de floresta e cultivo conhecida por Mata dos Sete Montes, porque está confinada por sete colinas de relevo acentuado. Foi o mais alto destes montes que os Templários escolheram para a edificação do seu templo octogonal.